Spondias bahiensis P. Carvalho, Van den Berg & M. Machado
Avaliação de risco:
Justificativa:Árvore com até 8 m de altura (Machado et al., 2015), endêmica do Brasil (Flora do Brasil 2020 em construção, 2020), com distribuição no estado da Bahia, municípios Cruz das Almas, Mundo Novo e Pindobaçu, e no estado de Pernambuco, municípios Arcoverde e Petrolina. Ocorre na Caatinga, em Floresta Estacional Semidecidual (Flora do Brasil 2020 em construção, 2020). Apresenta AOO= 20km² e cinco situações de ameaça. A partir de diversos incentivos governamentais, do crescente interesse na produção de biocombustíveis (Gauder et al., 2011) e da aplicação de novas técnicas de produção, dentre elas a irrigação e melhoramento de cultivares, o cultivo de cana-de açúcar passou a expandir sua área de cultivo (Ferreira-Junior et al., 2014). O município de Cruz das Almas (BA) possui 10,19% (1418ha) do seu território convertido em áreas de culturas agrícolas, segundo dados de 2018 (IBGE, 2020). A conversão do uso da terra para agropecuária é evidente no bioma Caatinga, sendo uma das principais fontes de renda e subsistência para os habitantes da Caatinga (Antongiovanni et al., 2018, Joly et al., 2019). Na Caatinga e em outras regiões semiáridas, o pastejo tem sido associado à compactação do solo, redução na sobrevivência de plântulas e mudas, consumo de biomassa de dossel, alteração da riqueza e composição das plantas (Marinho et al. 2016). Os municípios Arcoverde (PE), Cruz das Almas (BA), Mundo Novo (BA), Petrolina (PE) e Pindobaçu (BA) possuem, respectivamente, 37,7% (12189,9ha), 73,98% (10292,5ha), 47,82% (71347,1ha), 12,21% (55683,5ha) e 25,8% (12794,7ha) de seus territórios convertidos em áreas de pastagem, segundo dados de 2018 (Lapig, 2020). Diante o cenário de ameaças vigentes infere-se o declínio contínuo de extensão de ocorrência, área de ocupação, qualidade de habitat e situações de ameaça. Assim, Spondias bahiensis foi avaliada como Em Perigo (EN) de extinção. Recomendam-se ações de pesquisa (busca por novas áreas de ocorrência, censo e tendências populacionais, estudos de viabilidade populacional) e conservação (Planos de Ação, Conservação in situ e ex situ) urgentes a fim de se garantir sua perpetuação na natureza, pois as pressões verificadas ao longo de sua distribuição podem ampliar seu risco de extinção.
Perfil da espécie:
Obra princeps:Descrita em: Neodiversity 8, 32, 2015. É afim de Spondias tuberosa Arruda, mas difere por estatura (4-8 m em S. bahiensis versus 3-5m em altura em S. tuberosa), padrão de ramificação (copa mais aberta versus densa, torta padrão de ramificação), margem do folheto na base (curvado em direção à superfície abaxial versus plana), tricomas na lâmina do folheto (ausente versus presente), número de veias secundárias (10 15 pares versus 8-12 pares) venação secundária relevo na superfície abaxial (proeminente versus plana), estilos desenvolvendo-se em protuberâncias em a fruta (presente versus ausente), lenticelas em superfície do fruto (presente versus ausente), endocarpo superfície (estriada superficialmente versus lisa), forma do endocarpo em seção transversal (elíptico para redondo versus oblongo), e projeções espinhosas em ambas as extremidades distal e proximal de endocarpo (presente versus ausente). Popularmente conhecida como umbu-cajá (Machado et al., 2015).
Valor econômico:
População:
Ecologia:
Referências:
- Machado, M.C., Carvalho, P.C.L., van den Berg, C., 2015. Domestication, hybridization, speciation, and the origins of an economically important tree crop of Spondias (Anacardiaceae) from the Brazilian Caatinga dry forest. Neodiversity 8, 8–49. https://doi.org/10.13102/neod.81.2
- Flora do Brasil 2020 em construção, 2020. Spondias. Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. URL http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB602564 (acesso em 09 de outubro de 2020)
Ameaças (5):
| Estresse | Ameaça | Declínio | Tempo | Incidência | Severidade |
|---|---|---|---|---|---|
| 1.1 Ecosystem conversion | 2.1.3 Agro-industry farming | habitat | past,present,future | national | very high |
| Tradicionalmente, a região Nordeste destacava-se pela produção de cana-de-açúcar cultivada sobre a Caatinga (Kohlhepp, 2010). Apesar disso, a região não apresentava bons níveis de produtividade devido as suas condições ambientais (Kohlhepp, 2010, Waldheim et al., 2006). A partir de diversos incentivos governamentais, do crescente interesse na produção de biocombustíveis (Gauder et al., 2011, Kohlhepp, 2010, Koizumi, 2014, Loarie et al., 2011) e da aplicação de novas técnicas de produção, dentre elas a irrigação e melhoramento de cultivares, o cultivo de cana-de açúcar passou a expandir sua área de cultivo (Costa et al., 2011, Ferreira-Junior et al., 2014, Loarie et al., 2011, Silva et al., 2012). Similarmente, a região destaca-se na produção de algodão (Borém et al., 2003, Vidal-Neto e Freire, 2013), frutas (Vidal e Ximenes, 2016) e, nas últimas décadas, o cultivo de soja tem expandido (Sanches et al., 2005). | |||||
Referências:
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