Espécie Vulnerável
Endêmica do Brasil:
Sim
Detalhes:
Espécie endêmica do Brasil (Gaem, 2020), com distribuição: no estado de Alagoas — nos municípios Barra de São Miguel, Igreja Nova e Marechal Deodoro —, no estado da Bahia — nos municípios Alagoinhas, Camaçari, Entre Rios, Esplanada, Mata de São João e Salvador —, e no estado de Sergipe — nos municípios Barra dos Coqueiros, Estância, Indiaroba, Itaporanga d’Ajuda, Japaratuba, Pirambu, Santa Luzia do Itanhy, Santo Amaro das Brotas e São Cristóvão.
Avaliação de risco:
Ano de avaliação: 2021
Avaliador: Eduardo Amorim
Revisor: Lucas Arguello Aragão
Critério: B1ab(ii,iii)+2ab(ii,iii)
Categoria: VU
Justificativa:
Calycolpus legrandii é um arbusto que ocorre na Mata Atlântica, em restingas e dunas de areia. Possui uma distribuição bem restrita, ocorrendo em diferentes municípios dos estados do Alagoas, Bahia e Sergipe. Apresenta EOO= 15368km², AOO= 224km² e de seis à oito situações de ameaças. Considera-se a expansão urbana sobre as restingas no litoral, as atividades pecuaristas, agronegócio e silviculturas, como as principais pressões que possam levar a espécie à extinção. A pressão antrópica na restinga, através da especulação imobiliária, é um dos principais fatores de perda a vegetação (Rocha et al., 2007). Em 2019, a espécie apresentava cerca de 8% de seu AOO útil, em áreas de infraestrutura urbana, o que corresponde a mais de 1500 ha. Na Mata Atlântica, a conversão do uso da terra para atividades agropecuária é um dos principais vetores de modificação, causadores de perda de biodiversidade (Joly et al., 2019). De acordo com a análise de sobreposição do uso do solo, cerca de 22% do AOO útil da espécie, estão em áreas de mosaico de agricultura e pastagem. Diante as pressões vigentes, infere-se declínio contínuo de área de ocupação e qualidade de habitat. Assim C. legrandii foi considerada como Vulnerável (VU) à extinção, baseado nos valores de EOO, AOO e número de situações de ameaças. Recomendam-se ações de pesquisa (busca por novas áreas de ocorrência, censo e tendências populacionais, estudos de viabilidade populacional) e conservação (Plano de Ação, Cumprimento de efetividade de unidades de conservação e conservação ex situ) a fim de se garantir sua perpetuação na natureza, pois as pressões verificadas ao longo de sua distribuição podem ampliar seu risco de extinção.
Possivelmente extinta? Não
Histórico:
| Ano da valiação | Categoria |
|---|---|
| 2012 | VU |
Perfil da espécie:
Obra princeps:
Descrita em: Loefgrenia 5: 1, 1962. É reconhecida pelo hipanto glabro; bracteolas persistentes, 12 – 17 mm de comprimento, oval e sépalas compridas e vistosas (Landrum, 2010, Gaem, 2020). Popularmente conhecida como candeia, araçá de birro (Oliveira, Santos e Gomes, 2013).
Valor econômico:
Potencial valor econômico: Desconhecido
Detalhes: Não é conhecido valor econômico da espécie.
População:
Flutuação extrema: Desconhecido
Tempo de geração:
Detalhes: absolute 60 /180
Justificativa:
Segundo as informações fornecidas pelo especialista, o tempo de geração estimado para esta espécie é de 5 – 15 anos (P.H. Gaem com. pess. 2021).
Detalhes: Restrito a uma área estreita ao longo da costa da Bahia do norte de Salvador ao sul de Alagoas (Landrum, 2010).
Referências:
- Landrum, L.R., 2010. A Revision of Calycolpus (Myrtaceae). Syst. Bot. 35, 368–389. https://doi.org/10.1600/036364410791638342
Ecologia:
Substrato: terrestrial
Forma de vida: bush
Longevidade: perennial
Biomas: Mata Atlântica
Vegetação: Restinga
Fitofisionomia: Vegetação de Restinga
Habitats: 3.5 Subtropical/Tropical Dry Shrubland, 13.3 Coastal Sand Dunes
Detalhes: Arbusto com até 4 m de altura (Landrum, 2010). Ocorre na Mata Atlântica, em Restinga e dunas de areia (Landrum, 2010, Gaem, 2020).
Referências:
- Gaem, P.H., 2020. Calycolpus. Flora do Brasil 2020. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. URL http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB10265 (acesso em 08 de setembro de 2021)
- Landrum, L.R., 2010. A Revision of Calycolpus (Myrtaceae). Syst. Bot. 35, 368–389. https://doi.org/10.1600/036364410791638342
Reprodução:
Detalhes: Floração principalmente de novembro a março. Poucas frutas conhecidas, mas talvez frutificando logo após a floração (Landrum, 2010).
Fenologia: flowering (Nov~Mar)
Síndrome de dispersão: zoochory
Referências:
- Landrum, L.R., 2010. A Revision of Calycolpus (Myrtaceae). Syst. Bot. 35, 368–389. https://doi.org/10.1600/036364410791638342
Ameaças (4):
| Estresse | Ameaça | Declínio | Tempo | Incidência | Severidade |
|---|---|---|---|---|---|
| 1.1 Ecosystem conversion | 1.1 Housing & urban areas | habitat,occupancy | past,present,future | national | low |
| A Restinga é um ambiente naturalmente frágil (Hay et al., 1981), condição que vem sendo agravada pela forte especulação imobiliária, causando áreas degradadas devido à intensa pressão antrópica (Rocha et al., 2007). De acordo com o MapBiomas, os municípios Barra dos Coqueiros (SE) e Marechal Deodoro (AL) possuem, respectivamente, 8,18% (754ha) e 5,09% (1734ha) de seus territórios convertidos em áreas de infraestrutura urbana, segundo dados de 2019 (MapBiomas, 2021a). Em 2014, a espécie apresentava 8,38% (1507,91ha) da sua AOO útil (18000ha) em áreas de infraestrutura urbana. Em 2019, a espécie apresentava 8,88% (1597,81ha) da sua AOO útil (18000ha), o que representou um acréscimo de 0,5% (89,9ha) em áreas de infraestrutura urbana (MapBiomas, 2021b). | |||||
| Referências: MapBiomas, 2021a. Projeto MapBiomas – Coleção 5 da Série Anual de Mapas de Cobertura e Uso de Solo do Brasil, dados de 2019. Municípios: Barra dos Coqueiros (SE) e Marechal Deodoro (AL). URL https://mapbiomas-br-site.s3.amazonaws.com/EstatADsticas/Dados_Cobertura_MapBiomas_5.0_UF-MUN_SITE_v2.xlsx (acesso em 08 de outubro de 2021).MapBiomas, 2021b. Projeto MapBiomas – Coleção 5 da Série Anual de Mapas de Cobertura e Uso de Solo do Brasil, dados de 2014 e 2019. URL https://https://mapbiomas.org (acesso em 08 de outubro de 2021).Rocha, C., Bergallo, H., Van Sluys, M., Alves, M., Jamel, C., 2007. The remnants of restinga habitats in the brazilian Atlantic Forest of Rio de Janeiro state, Brazil: habitat loss and risk of disappearance. Brazilian J. Biol. 67, 263–273. https://doi.org/10.1590/S1519-69842007000200011 https://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/herbarioVirtual/ConsultaPublicoHVUC/ConsultaPublicoHVUC.do?idTestemunho=148244 | |||||


































